sábado, 26 de junho de 2010

Texto para reunião de pais e mestres

Amor e exemplo na educação
 
O grande mestre, Prof. Murilo Pacheco de Menezes, dizia sempre que, em todo processo educacional, são de extrema importância os seguintes fatores: o amor e o exemplo.
Falar em amor na educação não quer dizer que pais e professores devam ser permissivos, de tal modo que a criança e o jovem tenham direito de agir como bem lhes aprouver. Não é isso.
Ser amoroso, quando se educa, significa mostrar ao educando que alguém está preocupado com ele , com sua forma de agir, de proceder em casa, na escola ou em outro meio social. Pais e professores amorosos precisam reconhecer o momento certo de elogiar, quando o filho ou o aluno merecem elogio, mas, também, de chamar-lhes a atenção sempre que se fizer necessário. Lembro, aqui, que chamar a atenção não inclui grito, maus-tratos. Não há nada mais agressivo do que gritar ou castigar com rigor uma criança ou um adolescente. E sabe-se: é comum presenciar pais que exigem que os filhos falem baixo, mas que só se dirigem a eles aos “berros”.
Ser amoroso supõe a presença do diálogo, do respeito ao outro, na análise de situações que precisam ser discutidas. Não se aceita mais hoje, na escola, a máxima: “Magister dixit”- ( O mestre falou.) como se a palavra do professor devesse ser a única, sem que o aluno tivesse direito de ser ouvido. Nem que o filho, ao perguntar o motivo de não poder agir conforme sua vontade, receba do pai a resposta: “Porque não quero.” É o diálogo que permite a permuta de idéias, sem preocupação de demonstrar superioridade – “Minha palavra tem de ser a última.” Tal atitude demonstra autoritarismo indesejável, eliminando, entre educador e educando, qualquer possibilidade de entendimento. Pode, sim, haver aceitação, baseada na submissão e no medo, mas jamais aquela aceitação aberta de alguém que compreende, pela troca de idéias, dever ser adotado o que é proposto.
O exemplo representa outro fator de suma importância na educação. Tal assertiva se comprova pelo caráter de imitação nos filhos e nos alunos: os primeiros, principalmente quando crianças, imitam dos pais o modo de vestir, a entonação da voz, o tratamento familiar; os segundos adotam, muitas vezes, a preferência do professor ou da professora, a letra, os gestos, o jeito. Por isso grito é imitação de grito; grosseria é imitação de grosseria; postura educada é imitação de postura educada; trato obsequioso – com licença, por favor, desculpe-me, bom-dia, boa-tarde – é imitação de trato obsequioso. Não podemos exigir de nossos filhos e alunos aquilo que não somos.
É veloz e passageira a caminhada da vida e pela vida. Num abrir e fechar de olhos, filhos e alunos crescem, amadurecem, muitos tomam rumos distantes. E, quando chega esse tempo, ficam, na memória e no coração de cada um, aqueles ensinamentos que os sensibilizaram, as palavras que lhes tocaram o coração, centrados, normalmente, no exemplo e no amor. Gestos e atitudes agressivas também ficam: só que em forma de lembranças amargas que deveriam ser esquecidas, mas que permanecem para sempre.

Terezinha Hueb de Menezes


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